Em um dos projetos de infraestrutura energética mais debatidos da América do Norte, uma empresa brasileira do Rio de Janeiro ocupa posição técnica central. Paulo Roberto Gomes Fernandes, empreendedor com trajetória consolidada no setor de infraestrutura energética, construiu ao longo de décadas um portfólio de tecnologias patenteadas que colocou a Liderroll no radar de operadoras e construtoras internacionais, inclusive da canadense Enbridge, responsável pelo oleoduto da Linha 5. O caminho que levou a empresa brasileira até o projeto do túnel sob o Lago Michigan não foi resultado de uma estratégia comercial convencional: foi consequência direta da acumulação de competências técnicas documentadas em obras que o restante do mercado não conseguia executar.
O que é o projeto da Linha 5 e por que ele importa?
A Linha 5 é um oleoduto operado pela canadense Enbridge que transporta petróleo e gás natural líquido entre a cidade de Superior, no Wisconsin, e Sarnia, no Canadá. O trecho mais sensível do sistema cruza o Estreito de Mackinac, sob o Lago Michigan, em uma extensão de aproximadamente sete quilômetros. Diante de crescentes preocupações ambientais sobre o risco de vazamento no lago, a Enbridge propôs substituir o trecho subaquático por um oleoduto lançado dentro de um túnel escavado abaixo do leito, eliminando o contato direto da tubulação com a água.
O projeto enfrentou décadas de disputas jurídicas, contestações de tribos indígenas, pressão de organizações ambientais e impasses regulatórios entre os governos estadual e federal dos Estados Unidos. Apesar de toda a complexidade do processo, a viabilidade técnica do túnel permaneceu como ponto central das discussões. Segundo Paulo Roberto Gomes Fernandes, foi exatamente nessa dimensão técnica que a Liderroll encontrou seu espaço: a tecnologia de lançamento de dutos dentro de túneis desenvolvida pela empresa é identificada como a única solução disponível no mundo para executar esse tipo de obra na escala exigida pelo projeto.
As obras da Serra do Mar como antecedente técnico
A credibilidade técnica da Liderroll no contexto do projeto da Linha 5 não surgiu de apresentações comerciais, surgiu de obras documentadas. Os projetos executados nos túneis da Serra do Mar para a Petrobras demonstraram que a empresa era capaz de lançar dutos em ambientes confinados de alta complexidade, com linhas pressurizadas em operação simultânea e sem margem para improviso. O túnel GASTAU, com 5.100 metros de extensão, e o projeto OCVAP, com shafts verticais de mais de 530 metros de altura, formaram o portfólio técnico que abriu as portas do mercado internacional.

Paulo Roberto Gomes Fernandes indica que o histórico técnico documentado nessas obras funcionou como um atestado tácito de competência perante operadoras que, em condições normais, exigiriam referências internacionais prévias antes de qualquer negociação. A lógica era direta: se a tecnologia funcionou em túneis de cinco quilômetros com gás pressurizado em operação, ela teria condições de funcionar no Estreito de Mackinac. A progressão de uma obra de referência no Brasil para um projeto estratégico nos Estados Unidos é um exemplo concreto de como o investimento em inovação aplicada gera oportunidades que a prospecção comercial direta raramente produziria.
A presença em Calgary e os contatos que abriram o caminho
A International Pipeline Conference em Calgary foi o ambiente em que a aproximação entre a Liderroll e o mercado norte-americano ganhou concretude. A empresa foi à conferência com tecnologias específicas para apresentar, resultados documentados em obras reais e disposição para discutir engenharia em profundidade com qualquer interlocutor qualificado. Esse tipo de presença gerou um nível de conversa muito diferente do que a simples participação institucional em feiras produziria.
Conforme Paulo Roberto Gomes Fernandes, foi a partir das conexões construídas em Calgary que a Liderroll entrou no radar de projetos como o da Linha 5. A combinação entre a demonstração técnica nos eventos do setor, o reconhecimento obtido com o Global Pipeline Award da ASME em 2011 e o portfólio de patentes registradas nos Estados Unidos criou um conjunto de credenciais que tornou a empresa uma referência natural para projetos que exigiam soluções sem precedente no mercado norte-americano.
O que o caso da Linha 5 revela sobre a engenharia brasileira?
A participação da Liderroll no projeto do oleoduto sob o Lago Michigan é mais do que um caso de sucesso comercial. Ela representa a demonstração de que a engenharia brasileira tem capacidade técnica para competir nos projetos mais complexos e mais visíveis do mercado global de infraestrutura energética. Paulo Roberto Gomes Fernandes compreende que o caminho percorrido pela empresa, da Serra do Mar ao Estreito de Mackinac, é um modelo de internacionalização baseado em competência técnica comprovada, propriedade intelectual registrada e presença qualificada nos fóruns onde as decisões do setor são tomadas.
O caso também evidencia que obras difíceis, longe de serem apenas contratos cumpridos, funcionam como investimentos de longo prazo na construção de reputação técnica. Para Paulo Roberto Gomes Fernandes, cada projeto executado em condições extremas no Brasil foi, simultaneamente, uma obra e um argumento para o mercado internacional.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez



