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Atividade dos peixes: Como interpretar os efeitos do clima, da pressão e da lua? Veja neste artigo

Joel Alves retoma uma questão frequente em conversas de beira de rio: por que o peixe que mordia continuamente em um dia desaparece no seguinte, no mesmo ponto e com a mesma isca? A utilização de aplicativos que apresentam tabelas, solunares e gráficos de pressão atmosférica passou a ser uma prática comum por parte dos pescadores na etapa de planejamento. No entanto, nem todas as funcionalidades oferecidas por esses aplicativos encontram respaldo na biologia.

A resposta a essa questão implica na separação dos fatores cujos efeitos foram comprovados por meio de métodos científicos daqueles que operam mais como crenças. Essa classificação auxilia na seleção da data ideal para a pescaria e, sobretudo, na adaptação da técnica quando as condições climáticas se mostram desfavoráveis.

Temperatura da água, o fator mais consistente

Os peixes são animais ectotérmicos, ou seja, apresentam a temperatura do corpo dependente das condições do meio externo. Em resposta às mudanças da temperatura da água, ocorrem modificações no seu metabolismo, digestão e nível de atividade alimentar. Espécies tropicais, tais como o tucunaré, o tambaqui e o pacu, apresentam redução de atividade quando a temperatura da água desce abaixo do ideal, e uma pequena queda de temperatura já altera o padrão de alimentação.

Por conseguinte, a frente fria costuma ser desfavorável para a prática da pesca. De acordo com Joel Alves, o efeito é resultado das mudanças do clima, como a queda da temperatura, o aumento do vento, o céu limpo e a maior luminosidade, e não de um elemento isolado. Peixes de hábito de emboscada, por exemplo, tornam-se mais vulneráveis quando estão expostos a águas transparentes e a radiação solar intensa.

Corpos d’água rasos, como represas e lagos, apresentam maior sensibilidade às variações de temperatura em comparação com rios caudalosos ou corpos d’água profundos, nos quais a temperatura se mantém estável por um período mais extenso. Essa diferença explica por que, após uma frente, alguns pontos voltam a produzir dias antes de outros na mesma região.

Joel Alves
Joel Alves

Pressão atmosférica e lua: o que dizem as evidências

Dentre os fatores mencionados com maior frequência, destaca-se a pressão atmosférica, apesar de sua natureza ser uma das menos esclarecidas. A hipótese levantada é que os peixes dotados de bexiga natatória perceberiam a variação. No entanto, a mudança causada pelo tempo é insignificante diante da que os peixes enfrentariam ao descer um único metro na coluna d’água. Estudos sobre o tema apresentam resultados divergentes.

O cenário noturno apresenta semelhanças com a lua. As tabelas solunares partem do princípio de que a posição da Lua e do Sol gera janelas de maior atividade, porém a comprovação é limitada para a maioria das espécies de água doce. Dentre os efeitos observados de maneira mais frequente, encontram-se os de caráter indireto, como a luminosidade noturna e, no litoral, o ciclo das marés, que alteram a dinâmica das correntes e a oferta de alimento.

Essas ferramentas não perdem a sua utilidade, apenas se tornam complementares. Ademais, Joel Alves avalia que o registro das próprias saídas, com data, temperatura da água e resultado obtido, tende a revelar padrões mais confiáveis para um rio ou represa específicos do que qualquer tabela genérica disponível em aplicativo.

O dia ruim como informação

Em dias frios ou após a passagem de frentes, recomenda-se diminuir a velocidade da pesca: iscas de menor porte, trabalho mais lento e procura por áreas de água mais quente, como margens rasas expostas aos raios solares no período vespertino. O peixe não deixa de se alimentar, apenas passa a gastar menos energia para isso.

Conforme mencionado por Joel Alves, essa compreensão altera a análise de uma pescaria fraca. Em vez de atribuir o resultado à influência da lua ou ao acaso, o pescador passa a considerar a água, o tempo e a técnica como variáveis sobre as quais é possível atuar e que podem ser ajustadas ainda no mesmo dia.

O imprevisível é inerente à prática da pesca, e constitui um de seus principais atrativos. No entanto, aqueles que consultam o termômetro antes do calendário lunar tendem a cometer menos erros e transformam até a saída sem peixe em conhecimento útil para o próximo ciclo.

 

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