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O que Barueri pode ensinar ao Brasil sobre inclusão digital em cidades médias

Premiada no InovaCidade 2026, a cidade do interior paulista mostra que políticas de Wi-Fi público com impacto social real não são exclusividade das grandes capitais.

Quando se fala em inovação urbana e inclusão digital no Brasil, o debate costuma girar em torno de São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília. Barueri está mudando essa conversa. O município do oeste da Grande São Paulo, que abriga o complexo empresarial de Alphaville e é sede de algumas das maiores empresas do país, acaba de conquistar o Prêmio InovaCidade 2026 com um projeto de Wi-Fi público e internet social voltado especificamente para a população de menor renda, uma inversão de prioridades que merece ser discutida em escala nacional.

A 13ª edição do prêmio, realizada no Expo Center Norte em São Paulo no dia 16 de junho, reuniu 47 projetos de cidades de todo o Brasil. Barueri ficou em nono lugar com o programa “Conexão Gratuita: Wi-Fi Público + Internet Social”, desenvolvido pela Secretaria de Inovação e Tecnologia (SIT) do município. O resultado coloca a cidade da Grande São Paulo no mesmo patamar de iniciativas reconhecidas em edições anteriores do prêmio em cidades como Belo Horizonte, que também foi premiada por projetos semelhantes de conectividade popular.

Por que o Wi-Fi público ainda é uma pauta urgente no Brasil

Apesar dos avanços da última década, o acesso à internet ainda é desigual no Brasil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, embora a cobertura de rede tenha crescido, a qualidade e o custo do acesso variam enormemente entre regiões e faixas de renda. Para famílias que dependem de pacotes de dados móveis pré-pagos ou que não têm contrato de internet fixa em casa, a conectividade é intermitente e muitas vezes insuficiente para as demandas do cotidiano, como pesquisa escolar, candidatura a vagas de emprego ou acesso a serviços públicos digitais.

É nesse contexto que iniciativas como a de Barueri ganham relevância. O programa da cidade combina a oferta de pontos de Wi-Fi em espaços públicos de grande circulação com a Internet Social, que leva conexão gratuita aos conjuntos habitacionais municipais, exatamente os locais onde mora a parcela da população com menor poder aquisitivo. A lógica é tratar a conectividade não como um serviço de consumo, mas como uma infraestrutura social, na mesma categoria de água, energia e saneamento. Mais informações sobre políticas públicas de inclusão digital no Brasil podem ser consultadas no portal do Ministério das Comunicações em gov.br/mcom.

O que outros municípios podem aprender com o modelo

Um dos critérios avaliados pelo Prêmio InovaCidade é exatamente o potencial de replicação da iniciativa em outras cidades. O projeto de Barueri tem duas características que facilitam essa replicação: a parceria com estrutura municipal já existente, o Centro de Inovação e Tecnologia, e o foco em territórios específicos, os conjuntos habitacionais, o que permite escalar o programa de forma gradual sem exigir um investimento massivo de uma só vez.

Para cidades de porte médio que buscam referências de políticas públicas de inovação acessíveis, o caso de Barueri oferece um caminho concreto. O reconhecimento nacional chega ainda em um momento em que o debate sobre cidades inteligentes no Brasil precisa ir além das capitais e alcançar os municípios que concentram grande parte da população e dos desafios urbanos do país. Barueri, com pouco mais de 260 mil habitantes segundo o IBGE, prova que tamanho não é pré-requisito para uma política pública de tecnologia que funcione. O prêmio e seus critérios de avaliação estão detalhados em smartcitybusiness.com.br.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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