Noticias

Cooperativas agropecuárias ampliam acesso a fundos estruturados para financiar insumos, mostra a ID CTVM

Diante do custo elevado do crédito rural tradicional, cooperativas passam a estruturar operações de crédito privado lastreadas em recebíveis de seus próprios associados para financiar a compra de sementes, fertilizantes e defensivos agrícolas

O modelo cooperativista ocupa posição central na cadeia produtiva do agronegócio brasileiro havia décadas, funcionando como elo entre milhares de produtores rurais e o mercado consumidor de suas safras. Menos conhecido é o papel que essas cooperativas vêm assumindo, mais recentemente, como estruturadoras de operações de crédito privado voltadas a financiar um dos maiores gargalos de capital de giro do produtor rural: a compra antecipada de sementes, fertilizantes e defensivos agrícolas necessários para o início de cada novo ciclo de plantio.

Tradicionalmente, esse financiamento dependia quase que exclusivamente de linhas de crédito rural bancário, muitas vezes atreladas a programas oficiais de fomento com volume limitado frente à demanda real do setor. Diante desse gargalo, cooperativas agropecuárias de maior porte passaram a estruturar fundos de investimento em direitos creditórios lastreados nos próprios recebíveis gerados pela relação comercial entre a cooperativa e seus associados, criando uma fonte alternativa de capital para financiar a aquisição de insumos ao longo da safra.

Recebíveis pulverizados entre milhares de associados exigem escala tecnológica

A principal particularidade de um FIDC estruturado a partir de uma cooperativa agropecuária está na pulverização extrema da base de devedores, que pode reunir centenas ou milhares de produtores associados, cada um responsável por uma fração relativamente pequena do total de recebíveis que compõem o fundo. Essa pulverização, ainda que reduza a concentração de risco em um único devedor, exige do administrador fiduciário uma capacidade tecnológica robusta para validar e acompanhar individualmente um volume elevado de contratos, muitos deles associados a produtores de pequeno e médio porte com menor histórico formal de crédito.

Para Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, a estruturação desse tipo de operação exige uma combinação específica de conhecimento setorial e capacidade operacional:

“Um fundo lastreado em recebíveis de uma cooperativa agropecuária tem uma dinâmica muito particular, com milhares de pequenos contratos ligados ao ciclo da safra de cada produtor associado. Isso exige do administrador fiduciário processos de validação capazes de operar em escala, sem abrir mão do rigor técnico que qualquer estrutura de crédito privado exige. É um desafio operacional diferente de financiar uma única empresa de grande porte, mas igualmente relevante para levar capital a quem sustenta a produção agrícola brasileira”, avalia o executivo.

Sazonalidade da safra impõe calendário rígido de originação e pagamento

Diferentemente de recebíveis comerciais tradicionais, cuja originação costuma ocorrer de forma relativamente constante ao longo do ano, os recebíveis vinculados a cooperativas agropecuárias seguem o calendário agrícola de cada cultura financiada, concentrando a originação de novos créditos em janelas específicas do ano e o fluxo de pagamentos em torno da época de colheita e comercialização da safra. Essa sazonalidade exige que o administrador fiduciário ajuste seus modelos de acompanhamento de fluxo de caixa à realidade específica de cada cultura e região, considerando variáveis como o calendário de plantio e colheita e o comportamento histórico de preços da commodity financiada.

A ID CTVM atua na administração fiduciária e custódia de fundos estruturados vinculados ao agronegócio, o que envolve a validação dos contratos que lastreiam cada operação, o acompanhamento do calendário de safra de cada cultura financiada e a conciliação dos pagamentos recebidos conforme a comercialização da produção avança ao longo do ano.

Governança independente reduz risco de concentração institucional

Um aspecto relevante da estruturação de fundos a partir de cooperativas agropecuárias é a importância de manter administração fiduciária e custódia exercidas por uma instituição independente da própria cooperativa, evitando que o mesmo agente responsável pela originação dos recebíveis também controle diretamente a governança do fundo que os adquire. Essa segregação de papéis, comum a qualquer estrutura de crédito privado bem governada, ganha relevância adicional em operações cooperativistas, nas quais a proximidade natural entre a cooperativa e seus associados poderia, sem controles independentes, comprometer a isenção necessária na análise de crédito de cada contrato originado.

Diversificação de culturas reduz exposição a um único ciclo de commodity

Cooperativas que reúnem associados dedicados a diferentes culturas agrícolas, em vez de se concentrarem em uma única commodity, conseguem estruturar fundos com maior diversificação interna de risco, já que o comportamento de preços e o resultado de uma safra específica raramente afetam de forma homogênea todas as culturas cultivadas por seus associados. Essa diversificação natural, quando bem representada na composição da carteira de um FIDC cooperativista, tende a ser vista de forma favorável por gestoras e investidores institucionais que buscam exposição ao agronegócio sem concentração excessiva em um único tipo de cultura ou ciclo de preços internacionais.

Perspectivas para o financiamento cooperativista

Com o custo do crédito rural bancário permanecendo elevado e a sofisticação das estruturas de crédito privado avançando no agronegócio brasileiro, a tendência é que um número crescente de cooperativas de médio e grande porte passe a considerar a estruturação de fundos próprios como parte permanente de sua estratégia de suporte financeiro aos associados. Para administradores fiduciários e custodiantes independentes, sustentar esse movimento exige capacidade comprovada de operar em escala junto a bases pulverizadas de pequenos produtores, sem abrir mão do rigor técnico que sustenta a confiança de investidores institucionais nesse tipo de estrutura.

Sobre a ID CTVM

A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

 

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo