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Márcio Alaor de Araújo elucida: sem resiliência, até líderes brilhantes perdem o controle nas crises

De acordo com o empresário Márcio Alaor de Araújo, executivo do mercado financeiro com foco em resultados e desenvolvimento organizacional, resiliência profissional e inteligência emocional funcionam como uma engrenagem só, porque a primeira depende de como o líder lida com as próprias emoções sob pressão. Separá-las é erro de diagnóstico.

O mundo corporativo costuma elogiar o executivo que não demonstra nada, e o sangue-frio diante de uma perda vira sinônimo de força. Muitas vezes, porém, o que parece controle é apenas supressão, e ela cobra um preço mais tarde, no próprio líder e na equipe.

A diferença entre suprimir e regular uma emoção transforma a inteligência emocional de conceito em ferramenta de gestão. É esse mecanismo, pouco discutido fora da psicologia, que explica por que alguns líderes saem de crises mais fortes e outros apenas mais cansados.

Suprimir não é regular: o que dizem as pesquisas?

O psicólogo James Gross, da Universidade Stanford, estuda há décadas as estratégias de regulação emocional. Duas se destacam. A supressão tenta esconder a emoção depois que ela já surgiu. A reavaliação cognitiva muda a interpretação da situação antes que a emoção ganhe força.

Estudos de Gross associam a reavaliação a mais emoções positivas e maior bem-estar, enquanto a supressão aparece ligada a pior memória dos acontecimentos e a relações mais frágeis. Quem suprime continua sentindo o mesmo, só que gasta energia para não mostrar.

Márcio Alaor de Araújo comenta que, no mercado financeiro, essa energia faz falta quando o raciocínio mais precisa dela. O líder que esconde a ansiedade diante de uma queda da carteira tende a decidir pior, porque divide a atenção entre o problema e o esforço de parecer calmo.

Por que nomear uma emoção fortalece a resiliência?

Minutos antes de apresentar ao conselho um trimestre ruim, uma diretora financeira anota o que está sentindo: medo de perder a confiança dos conselheiros. Parece um gesto banal. É, na verdade, uma das formas mais simples de regulação emocional descritas pela neurociência.

Marcio Alaor de Araujo
Marcio Alaor de Araujo

Na Universidade da Califórnia em Los Angeles, a equipe do neurocientista Matthew Lieberman observou que nomear uma emoção reduz a atividade da amígdala, região cerebral ligada às respostas de alarme. O fenômeno, chamado de rotulagem afetiva, ajuda a explicar por que colocar sentimentos em palavras acalma.

Nomear, porém, exige antes perceber, e é aí que entra a autoconsciência, primeiro pilar da inteligência emocional. Essa habilidade é, no entendimento de Márcio Alaor de Araújo, o ponto de partida de qualquer esforço de resiliência, porque ninguém regula o que não reconhece em si.

O estado emocional do líder contamina a equipe

A regulação emocional do líder não fica restrita a ele. Sigal Barsade, pesquisadora da Wharton School, mostrou em experimentos que emoções se espalham entre os membros de uma equipe e influenciam a cooperação, o nível de conflito e a percepção de desempenho.

Irritado, um gestor que entra na reunião de crise muda o comportamento da sala antes de dizer uma palavra. As pessoas passam a se proteger, e as más notícias ficam para depois. Sereno de verdade, o mesmo gestor faz os problemas aparecerem enquanto há tempo.

Serenidade genuína, e não encenada, é o que Márcio Alaor de Araújo aponta como a principal contribuição do líder em momentos de pressão. A equipe percebe a diferença, e a calma de fachada costuma gerar mais desconfiança do que tranquilidade.

O que distingue os grandes líderes sob pressão?

Grandes líderes não são os que não sentem, e sim os que sentem, reconhecem e escolhem o que fazer com isso. A inteligência emocional fornece a leitura; a resiliência profissional é o que essa leitura permite fazer quando a pressão se prolonga.

Essa combinação tem uma vantagem pouco lembrada: pode ser treinada. Registrar emoções antes de decisões difíceis, pedir retorno sobre a própria conduta em reuniões tensas e revisar crises passadas olhando para as reações, e não só para os números, estão ao alcance de qualquer gestor.

Márcio Alaor de Araújo conclui que o que separa um grande líder dos demais não é a ausência de abalos, e sim a qualidade das decisões que toma enquanto está abalado. É nesse intervalo, entre a emoção e a resposta, que se decide se a crise deixará cicatriz ou aprendizado.

 

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